Postado por Gabrielle em 29/08/2012
Há quase dez anos, Lois Lowry publicou O Doador - no Brasil em 2009 pela Sextante -, um romance distópico, e apesar dos outros livros lançados pela autora foi esse que trouxe maior impacto em sua carreira. E em outubro, Son, quarto e último volume da saga finalmente chega às livrarias americanas. Mas será realmente o fim? Pelo telefone ao LA Times, a autora diz: “Parte da minha resposta,” brinca, “é que tenho 75 anos. Mas vejo O Doador como uma saga completa.”
Confira o restante da entrevista (algumas frases tiveram sua tradução adaptada):
Você pensava em O Doador como primeiro livro de uma saga?
Não, eu não imaginava. É interessante que hoje muitos livros são publicados como primeiros de uma saga. Nunca me ocorreu. Embora O Doador tenha um final incerto. Ouvi isso de vários leitores ao longo dos anos.Foi essa ambiguidade que fez você querer ficar com a história? Para esclarecê-la?
Não foi tão simples. Foi algo subliminar. Quando você senta todo dia e lê 40, 50, 60 emails, e 25% deles indicam a mesma coisa… bem, eu escutei. Gathering Blue (segundo livro da saga) foi um livro a parte. Eu queria explorar como a sociedade pode ser após uma catástrofe mundial. Só no fim percebi que poderia fazer a conexão com O Doador. O terceiro livro, desde o início, foi ligado aos outros dois. Realmente pensei que seria o fim da saga. Trilogia soa agradável, e eu consigo ver isso como uma pequena saga.Você escreveu muitos livros de diferentes temas. Number the Stars é histórico, por exemplo.
Para mim, é chato escrever o mesmo livro de novo e novamente. Talvez seja por isso que demorei tanto para terminar essa saga, por que eu não escrevo esses quatro livros seguidos um do outro. Eu me mantive aborrecida tentando algo novo.Seus livros foram notados por suas mensagens.
Eu não escrevo com um ponto de vista político. Não há conotação religiosa. Olhando para trás para meus livros, eu posso dizer, “Oh, sim, está lá.” Mas isso não está em minha mente quando escrevo.
O que vem para mim é sempre um personagem, uma cena, um momento. Isso será o começo. Então, quando escrevo, começo a perceber um fim. Eu começo a ver um destino, embora isso às vezes mude. E depois, claro, há toda a parte do meio sendo confeccionada.Qual seu próximo projeto?
Estou terminando um livro em minha saga para jovens leitores, Gooney Bird. Mas já tem outra coisa vindo à mim. Eu comecei a escrever. Eu acho que tem algo aí.
Postado por Gabrielle em 16/06/2012
Lançado em 1993 nos Estados Unidos, a Arqueiro aproveitou o rebuliço dos distópicos no mercado literário para apresentar o livro que já arrecadou milhares de fãs e leitores ao redor do mundo. O Doador é o primeiro volume de uma saga de quatro que ainda está sendo lançada lá fora. Aliás, o último volume, Son, está previsto para ser lançado no mês de outubro. Com uma estória forte e com uma ótima narrativa, Lois Lowry acertou em cheio.
A história: No livro de Lois Lowry, vigora a Mesmice, e o momento é, por que não dizer, utópico, onde tudo é igual, não existe família e sim unidades familiares, não há fome nem guerra e perguntar pode ser um erro. Mas há duas pessoas que sabem como o mundo era, sabem que há sentimentos, amor, ódio, sabem o que significa possuir uma família e filhos. E apesar de eles serem os únicos que podem perguntar, eles não estão satisfeitos, eles também querem mudanças.
Pensei que só nós existíssemos. Achei que só existisse o agora.
Estamos acostumados a dizer que o mundo é uma balança equilibrada, onde existe bem e mal e sempre que acontece algo que faz a balança pender para um lado, há sempre uma ação em contrapartida para que o equilíbrio retorne, mas em O Doador isso não existe, não há equilíbrio porque não há o que pesar. Apesar de haver sentimentos, eles são todos mascarados, e com o decorrer da história o leitor se pergunta se é um mundo tão ruim assim ou se o preço a pagar é assim tão caro. Bem, se no leitor há dúvidas, já com o protagonista elas vão embora conforme ele recebe mais lembranças, e ele começa a ficar disposto a tudo para acabar com a Mesmice.
Eles nunca experimentaram a dor.
Entre os pontos negativos, o que mais me chamou a atenção foi a falta de explicação sobre o por que de o mundo estar como está além de os personagens secundários serem realmente um pano de fundo, sendo o destaque todo d’O Doador, e Jonas, que mostra-se um personagem cativante, corajoso e perseverante em suas ideias e sentimentos. A luta que está por vir será árdua, mas não imagino ninguém melhor do que ele para lutá-la.
Não entendo o que é coragem: o que é, o que significa.
O livro é uma promessa, onde a autora constrói o sentimento de revolta. Creio que ela fará o mesmo nos dois livros seguintes para depois haver uma junção de todos os protagonistas no último volume da saga para que a ação possa finalmente acontecer, o que pode e vai mostrar-se frustrante para muitos leitores. Tem que ter paciência para aguardar tanto mas se Lowry seguir a mesma linha desse primeiro volume, sem deixar de evoluir, espero, então vai ser difícil dizer não…